terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Diário de um grávido - 2

Eu recebia várias ligações de Stephanie, mas dificilmente atendia. Ela já me contou sobre e-mails que me escreveu, mas nunca me mandou, me exorcizando pelas atitudes que eu estava tomando. Ela não estava errada.
Depois das notícias, ora indesejadas, eu, que já andava revendo minhas decisões, realmente comecei a considerar a possibilidade de voltar atrás, voltar para ela.
O descontentamento com a relação, anteriormente tão certo, parecia estar perdendo sua razão de ser. Primeiro, um sonho - o primeiro desde a viagem para casa - em que estávamos juntos e felizes. Não me lembro de mais detalhes, mas certamente foi intenso o bastante para que saudade e uma dúvida se colocassem em meu coração e em minha mente. Talvez eu quisesse voltar!
Paralelamente, mas nem tanto, eu ainda absorvia o impacto da notícia inesperada da gravidez. Como já disse, por mais que eu quisesse me convencer de que Stephanie havia inventado essa história, e por mais que meus pais me reforçassem a ideia de que ela estava desesperada e diria qualquer coisa para que eu voltasse para junto dela, dentro de mim eu sabia que ela não faria tal coisa, e que realmente algo crescia lá dentro dela.
A verdade é que nós nunca deixamos de nos falar. Algumas vezes conseguíamos até mesmo conversar amigavelmente, e eu geralmente era informado de qualquer ocorrência no dia-a-dia dela.
Um dos acontecimentos desse período foi um mal estar que ela sentiu. Foi para o hospital e, ela me contou depois, passou a noite sentada numa cadeira branca, quadrada, desconfortável e fria, tomando soro.
Ela me disse que durante esse tempo, ela pode pensar sobre tudo que estava acontecendo, organizar os fatos, os sentimentos. Nisso, teve um estalo. Resolveu não mais se importar com minhas atitudes ruins, parar de sofrer, ser forte e tentar, com toda a força que conseguisse, passar por cima dessas coisas.
Enquanto isso eu, que no fundo sabia que ela realmente estava grávida, mas que buscava, em tudo e em todos, a esperança de ela não estar, estava cada vez mais próximo de ir contra tudo o que havia me levado a deixar a vida a dois e pedir perdão - e expor a Stephanie a minha ainda insegura e extremamente íntima vontade de ser dela novamente.



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Em tempo: O blog está com layout novo. Parece mais do mesmo (preto e branco, listras, fantasminha, etc, mas me agradou, então tá ótimo.) 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Valentina e o Natal

A Stephanie também "ganhou" de aniversário uma câmera nova - entre aspas porque na verdade foi uma vaquinha que todo mundo fez, até mesmo ela.
É uma câmera simples, uma Cyber-Shot W180 de 10.1 megapixels, mas já é suuuuuper legal não depender mais da câmera do celular.

Eu mesmo já me arrisquei a brincar de fotógrafo, e não há modelo melhor para isso do que a futura mãe da Valentina e a barriga dela.


Valentina e o Natal com 24 semanas - foto tirada por mim, mas com as devidas instruções da mãe, que tem bem mais experiência do que eu na fotografia


Eu sempre gostei do natal. Vejo o espírito natalino que deixa as pessoas mais felizes, e ao mesmo tempo adoro o consumismo de fim de ano, estando milhas distante de condenar o fato de ser mais do que tudo uma data comercial.
Sinto pela Valentina. Queria que ela visse com os pequenos olhinhos o Natal. Queria mostrar os presentes, as luzes, as músicas... Mas do aconchego do útero isso não é possível.
Mas nada disso impede-nos de apresenta-la a essa época do ano, essa data de que o pai dela gosta tanto.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Informações súbitas

Eu trabalho agora. Nada muito diferente do que eu já fiz antes. A lan house é da sogra - excelente chefe - e o tempo aqui passa com relativa facilidade, seja por causa do sossego do serviço, seja por causa dos acéfalos ou mal educados ou folgados, e às vezes as três coisas juntas, que dão as caras por aqui de tempos em tempos.
Seria de se esperar que eu postasse mais, já que passo cinco horas por dia na frente de um computador, mas a verdade é que isso mais cansa do que inspira.
O dinheiro no fim de cada mês está fazendo diferença em quase tudo. Eu estou com um humor bem melhor, pois tenho conseguido cobrir os gastos necessários e ainda feito sobrar uma graninha, para comprar guloseimas (paixão dos três) e, recentemente, trocar mimos.
Exemplo: dia 29 de novembro é aniversário da Stephanie, e ela ganhou um presente surpresa. Ela está se roendo de curiosidade, pois já descobriu - acidentalmente, segundo ela - que eu comprei algo para ela. Mas eu mantenho guardada a sete chaves a natureza do presente.

O saldo, então, é positivo. A gente parece ter se acertado. O que é muito importante, para mim, para ela e para a Valentina.

E, com uma inspiração recente, posso dizer que eu também não seria nada sem meus dois pequenos amores. A vida sem essas duas meninas não faria tanto sentido - mesmo que uma delas ainda não tenha nem nascido. Aliás, faz tempo que está chato esperar essa pequena nascer.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Things that cannot be forgotten

Pouco me importa se o que posto parece sem importância - "oh, são apenas mais elucubrações românticas sem conteúdo de adolescente". Na verdade, não me importo em nada. Nem mesmo sou mais adolescente.
O que costumeiramente me fazia mal - ver fotos antigas, ler escritos passados - hoje me abriu os olhos. Me dei conta de que há certas coisas que não devem ser esquecidas. Me fez bem. Há alguns anos, nenhum de nós dois fazia ideia de que o outro existia. Levávamos a nossa vida, cada um à sua própria maneira, com nossos próprios pés, movidos por motivações e circunstâncias particulares, adaptados a nossos próprios mundos e a nós mesmos - afinal, cada ser humano é um universo.
Pode ser obra do acaso, do ócio, de uma união das duas coisas, ou de nenhuma delas. O que aconteceu foi que os dois seres humanos acabaram se encontrando. Diferentemente das grandes histórias clássicas de amor, que a literatura, o cinema e a música nos contam, o que nos uniu foi a Internet.

E é através da Internet que eu vejo a evolução de nossa história juntos. Eu vejo hoje que absolutamente tudo o que fizemos, pensamos, sentimos, registramos, tudo nos fez seguir caminhos que, num certo ponto, se cruzaram.
Vendo fotos antigas suas no seu fotolog, vejo que depois de tudo o que você fez, coisas que eu não vi pois, para você, eu não existia, se encaixam e se seguem para que eu apareça de repente e tudo mude, para nós.
O seu deslumbramento ao me encontrar, a minha desconfiança inicial, o nosso tímido início de amizade, as declarações súbitas, as atitudes que só faziam sentido para nós dois, todas essas coisas merecem ser lembradas e jamais esquecidas, pois ajudam a compreender, a aceitar e a aproveitar a nossa vida, e tudo que a nossa união trouxe.
Eu continuo sendo seu Menino (amoxicilina), você ainda é minha Sweetie. Você ainda me faz sentir uma atração difícil de explicar, eu ainda devo ser tudo o que você sempre quis. Essas são coisas que não devem ser esquecidas.
A Valentina está chegando, pra confirmar que estou falando sério.

A cada vez que me dou conta de que te amo, me surpreendo com o tamanho desse amor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Valentina!

Como prometi, aqui vão algumas fotos do ultrassom revelador, no qual ficamos sabendo que eu vou ser pai de uma menininha.
A máquina do consultório era pior que a máquina da Santa Casa, e a Valentoca não parava um segundo! A Stephanie tomou coca e comeu um brigadeiro e uma tortuguita, pois dizem que assim o bebê fica agitado e fica mais fácil ver o sexo.
O resultado? A garota ficou elétrica. Chutava, esperneava, dava cambalhotas, dançava, etc. Quando o médico colocou a imagem num ângulo em que a gente podia ver as partes baixas da Valentina, dava pra ver os pezinhos pedalando!


Aí está a belezinha!

O efeito das guloseimas parece que não passou até hoje. Essa menina não deixa a Stephanie em paz, cutuca a barriga da mãe por dentro, não deixa ela dormir direito à noite.
Mas eu sei, vale a pena.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Notícias de dentro

De dentro da barriga da Stephanie.
Lá dentro cresce uma menininha, uma princesinha.
Ao contrário do que julgo ser maioria entre futuros pais, eu queria mesmo que fosse uma menina, e nem mesmo sei explicar o porquê.
Já me imagino arrancando os cabelos de tanto ciúme da pequena Valentina. Dizem que menina dá muita dor de cabeça para o pai e, nesse caso, o pai é um homem ciumento até a raiz da medula. Pobre Valentina!

Esse post meio be-a-bá veio naturalmente. É inspiração de pai bobo de princesinha.

Obrigado, afinal de contas, meu amor.
 



Em um post futuro eu coloco fotos da garota. Eu ia deixar pra contar aqui quando as fotos estivessem prontas, mas quem aguenta esperar pra contar que já sabe que vai ter que comprar vestidinhos e roupinhas rosa?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diário de um grávido - 1

- Vá fazer algo de útil com seu tempo! - disse o cérebro ao rapaz.
E assim foi.E assim surgiu a ideia de escrever esse pequeno diário, que mostra um pouco da minha visão sobre a paternidade, algo tão novo, surpreendente e assustador, mas que se estiver acompanha da do amor se torna emocionante e linda. Eu estou escrevendo com cuidado, então achei por bem dividir a história em partes.

1

A primeira sensação não foi boa. Foi medo puro. E as circunstâncias não ajudavam, não.
Eu havia decidido da ouvidos a pensamentos que estavam fora do meu controle. Decidi deixar aquele ano para trás, viver novas experiências, atrasar o passo do tempo. Deixei a cidade nova e voltei para a cidade antiga, decidido a viver sozinho por um longo tempo e fazer qualquer coisa que me desse vontade sem me preocupar com consequencias ou satisfações.
Não demorou muito tempo para que eu fosse informado da gravidez. E eu soube exatamente através da pessoa de quem eu queria me afastar - a própria grávida.
Stephanie tentava entrar em contato comigo todos os dias, por telefone ou mensagens instantâneas. E todos os dias eu não media esforços para fugir dela. Achei que seria relativamente fácil, afinal mais de 30 quilômetros nos separavam. Com o tempo descobri que não era tão fácil assim e, como era de se esperar, chegou um momento em que eu não pude evitá-la. Ela me disse que não poderíamos nos separar, pelo menos não naquele momento.
- Por que não?
- Eu fiz um teste de farmácia, e deu positivo.
A minha reação imediata foi acusá-la de estar mentindo, afinal, de início ninguém quer acreditar em algo desse tipo, ainda mais quando se está numa situação como esta.
Embora eu afirmasse constantemente a mim mesmo que logo Stephanie admitiria que estava mentindo sobre sua gravidez, eu sabia, lá no fundo, que ela não brincaria com algo tão sério e que provavelmente estaria dizendo a verdade.
Layout desenvolvido por Dalmo Hernandes - dalmo.hern@gmail.com