06/01/2012

Me perdi

Dormi à tarde por pouco mais de uma hora e acordei sem saber onde estava, achando que era de manhã.

Quando me recompus, fiquei deprimido. Eram quatro da tarde do dia cinco de janeiro de dois mil e doze. Me lembrei que em quatro dias minhas férias acabam e eu volto para casa. Acho que tenho o direito de ficar triste com isso.

O tempo passa cada vez mais rápido, e não é força de expressão. A ciência explica que quanto mais se vive, mais insignificante se torna a noção de tempo, pois nosso cérebro compara involuntariamente o tempo que passa ao tempo que já vivemos. (Olha só, acabou de virar meia noite, e tecnicamente passei um dia sem postar. Mas como sou o senhor desse domínio e um homem flexível, posso compensar postando duas vezes.)

Assim, aos 90 anos já vivemos tanto tempo que um ano não parece muita coisa, e temos a impressão de que passa bem mais rápido. Eu, no entanto, mal tenho vinte e sinto os anos passarem por mim fazendo barulho como carros que passam por nós na estrada.

Sinto que logo escreverei a primeira ficção do ano. Não tenho ideia alguma formada além de dois ou três rascunhos aqui no blog, só sinto mesmo.

***

Ontem fui para Itapetininga, fica lá a clínica onde me tatuei - aliás, hoje me dei conta de que o bichinho da agulha me mordeu e tenho certeza de que farei mais tatuagens sempre que possível. Assim que o ônibus entrou na cidade o cheiro do lugar invadiu minhas narinas e me inebriou de nostalgia. É impressionante como o olfato nos traz mais lembranças que qualquer outro sentido.

Eu vou para lá uma vez ao ano, e nunca consigo fazer tudo o que quero. Depois da clínica fomos ao shopping, e fim. Depois fui para a rodoviária e fiquei por lá muito tempo esperando o ônibus, depois de desistir da ideia de visitar um amigo que não vejo há mais de quatro anos. Voltei para casa ainda cheio de mim por ter me tatuado, tomei banho, algumas cervejas e fui dormir.

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Há vários anos, quando começou esse negócio de blog, era um lance pessoal. Hoje os blogs estão todos prostituídos, mas não vou ser hipócrita e dizer que reprovo isso porque eu mesmo leio blogs e boa parte da renda de casa vem de um deles. O que quero dizer é que hoje, blogs pessoais são exceção. E esses estão muito narcisistas. Digo isso por causa de um post no Papo de Homem, falando da indignação das pessoas, especificamente na internet, com a revista Época e sua capa estampada pelo Michel Teló. O autor postou alguns links para blogs pessoais que expunham sua revolta contra a decisão da revista como se fossem as pessoas mais influentes do mundo, cujas opiniões fossem as mais relevantes.

Fiquei com vergonha. É exatamente isso que eu não quero fazer, não quero que este se torne um blog que finge ser influente, não quero ser pretensioso nem formar opinião. Só quero ter um blog pessoal à moda antiga e falar sobre o que gosto, penso e sinto e talvez compartilhar um pouco de prosa e verso.

Só isso.